terça-feira, 12 de junho de 2012

A valsa.

(mi autoria - ao som de At Last - Etta James)


-Posso ter a honra dessa dança?
E foi assim que encostou de leve seus dedos juntos a minha mão vazia, que passaram a sentir arrepios.


Uma dança? Só uma?
Dançaria a vida com você.
Mas bem...isso não se fala, então sorri como resposta.


Seria estranho ali, em um lugar qualquer, uma valsa.
Mas, sabe quando as pessoas vão sumindo?
Vão ficando transparente, e o que sobra é duas pessoas enamoradas?


Olhos. Olhar tão profundo que imagino ler uma alma.
Risadas bobas, uma palavra engraçada.
Só para abafar a tensão, a vontade de um beijo.


Encosto sua cabeça em meu ombro finalmente, os passos às vezes atrapalhavam, mas era um 'atralhado' bonito,
encaixava-se de qualquer forma, certo ou errado.


Encaixava perfeitamente.




-O que vem depois?
-Não sei, continuamos na dança, o que acha?
-Bem... é o que mais quero!


Mesmo embaralhada às vezes, era gostoso.
Era ingênuo, sincero.


Inocentes como crianças descobrindo o que te dão mais prazer no mundo.


Sua boca alcançou minha orelha:


-Quero descobrir o mundo com você.


...


Aí nesses momentos não se diz nada, apenas nos olhamos, e entendemos o recado:
Nos queremos, e queremos dançar conforme a música.
Seja rápida, lenta, confusa, gostosa.


Há harmonia entre nós, e isso basta.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Brisa #1


(m.a)


Vamos fugir para a lua, para a floresta,
Para a nossa ciranda de pequena!
Sentir um pouco de tontura boa, e olhar para cima 
Se encontrar com as estrelas
E notar que elas estão ali para te iluminar!


E se possível, vamos alcançá-las!
Vamos pular de cometa em cometa, vamos conhecer outros planetas;
Povos diferentes, línguas engraçadas!


Podem me chamar de doida, mas chamo isso de querer viver;
Viver sem mal no coração, viver para distribuir sorrisos e fazer da vida algo preciosa e bonita, que ela já é, mas raramente notamos sua importância.


=)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Re.


(m.a)

Quando se trata de recomeçar, tudo vira um desafio.

Acham que é fácil tomar um novo rumo da vida, com novos conceitos, novas pessoas ao redor... mas não é; ainda mais quando sai de uma zona de conforto que durou anos.
Não é fácil e, além do mais, às vezes dói. Dói aceitar que aquilo não é mais pra você, algo que antes você não conseguia visualizar fora da sua vida, mas hoje não faz mais sentido e então você precisa seguir em frente.
É como (brutalmente) abandonar uma droga. Te fez bem por um tempo, te deu um certo prazer, mas chegou o momento em que começa a dificultar sua vida, e ao notar que você pode não conseguir mais sair disso, toma a decisão brusca em abandonar aquilo e recomeçar. Do começo, que fique claro. Aí no começo você às vezes se debate, sente falta, uma ‘abstinência’ louca, sofre; aos poucos nota que vai melhorando, mas as lembranças do que aquilo te fez sentir vem à tona; mas melhora com o tempo, e quando digo tempo, não é um dia, um mês...pode levar um ano ou mais.
O segredo (quem sou eu pra saber de fórmulas? Humilde pobre-defeituoso humano... mas vamos lá!), diria, está no foco e na aceitação. Concordar, primeiro, que tudo em que um dia começou termina, seja em poucos meses ou em anos, seja por um fim de uma vida ou por não fazer parte mais daquele cotidiano; termina. Saber também que o mundo não é tranquilo, que as coisas novas não reaparecem assim em um estralar de dedos: às vezes pra recomeçar temos que ter paciência (muita), e óbvio, não ficar sentado.
Ainda não imagino o que acontece quando concluí o recomeço e se encaixa novamente em um lugar, em uma história; sabe-se apenas que se um dia não fizer mais parte disso, que pelo menos permaneça uma coisa: o respeito, um olhar para aquele fim de que ‘pelo menos me serviu algo de bom’, seja para valorizar a vida, seja para saber que há coisas boas (ou más) no mundo. Mas de tudo se aprende algo, e se errar, o recomeço está aí, com mais um oportunidade de acertar (ou errar novamente, até acertar).

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tá a fim de um Romance, que seja com um (clássico) livro.


(mi autoria)
Se for pra querer um amor,
Quero compará-lo a um clássico livro:
Poderia ser um Dom Quixote,
Um Brás Cubas ou um O Cortiço.

Experimentaria suas aventuras,
Decifraria seus medos;
Me identificaria com alguns conceitos,
Outros eu reprovaria.

Às vezes teria o vício de querer continua com ela em minha mãos;
Às vezes seria necessário abandonar, seja por um tempo,
Seja por compromissos.

Mas, tão rápido e certeiro, voltaria ao seu mundo encantado,
E a cada nova abertura desse envolvimento,

Um novo descobrimento
[Ou um mesmo descobrimento, porém mais fascinante como antes!]

E não importa quantas vezes ‘leria’ aquela pessoa,
Toda volta a ela me traria novos conceitos, sentimentos,
Novas borboletas no estomago.

E o melhor de tudo: como qualquer clássico, seria atemporal,
Teria significado ontem, hoje e sempre!

Cansei de amores Best-sellers, que sua importância passa ligeiro como veio;
Cansei de amores de Autoajuda, que tentar mostrar caminhos mastigados
[e que nem sempre traz resultados];
Quero um amor clássico, com uma Divina Comédia, com reflexões Camonianas,
Com mistérios Kafkanianos;

Se for pra ser amor então, que seja como os clássicos livros.

domingo, 18 de março de 2012

-Des-ciclo da Vida.

(mi autoria)

Quando pequeno aprendi que o ciclo da vida é

Nascer, Crescer, Reproduzir, e, em paz (ou não), falecer.

Dessas quatro etapas, três são inevitáveis se conseguimos sobreviver: nascemos; se sobrevivemos, crescemos, mas uma hora paramos de sobreviver.
Agora reproduzir...
Todos pensam: é reproduzir pessoas! Coisa natural do ser humano.
Mas eu conheço a sociedade, ela quer também que reproduzimos materiais, produtos, consumos, vícios, e se possível, reproduzimos apenas aquilo que é permitido, que não choque, não faça refletir.
Que reproduzimos muito dinheiro; que temos muito dele, que vivemos por ele.

Eu decido reproduzir então outras coisas:
Reproduzir menos dinheiro, reproduzir mais simplicidade;
Reproduzir-me numa cama menor, onde posso ficar mais perto de você;
Reproduzir carinho, ternura, e se possível, uma sabedoria do tipo que vale a pena;
Reproduzir tranquilidade, numa cadeira de praia, assistindo ao pôr-do-sol;
Reproduzir um mundo diferente, e diferente para melhor.

Desesciclo a Vida, e proponha a ela um ciclo mais interessante, que não fica no que vai-e-volta, e sim que tenha um ESCAPE para algo mais sensato.

Joaquina, qual seu verdadeiro nome? Qual sua verdadeira ira?

(mi autoria) - Baseado em uma notícia de jornal.
"É duro tanto ter que caminhar e dar muito mais do que receber"  (Zé Ramalho)



Quando estava para nascer, os pais ainda tinham dúvidas em que nome colocar. Maria? Ana? Qual será seu nome? Foram então atrás da bíblia, de numerologias, de tudo qualquer coisa que mostrasse algum nome com energia positiva.
Ficou Joaquina.
O nome Joaquina era engraçado. Quando se apresentava e falava seu nome, as pessoas abriam sorrisos automaticamente, como se aquilo trouxesse alguma alegria. Joaquina ficou conhecida assim: pessoa extrovertida, alegre, de bem com a vida. A pessoa que todo mundo queria por perto, e Joaquina ficava por perto.
Ela cresceu e continuou espalhando toda essa energia boa para todos que passavam por sua vida. Joaquina recebia, raramente, alguma energia do mesmo nível de volta. Às vezes recebia coisas boas, mas às vezes não, e ela seguia em frente, espalhando a solidariedade por aí.
Um dia, Joaquina chegou em casa, depois de dois dias fora. Sua roupa não estava tão alegre, tão colorida: era uma blusa preta abatida, calça jeans, e um tênis preto, levemente sujo de terra.
O semblante de Joaquina estava mudado: o sorriso não tomava conta naquele momento, e os olhos estavam inchados. No silêncio, subiu as escadas quase arrastando suas pernas, deixou a bolsa no corredor do quarto, e foi direto ao banheiro.
Por ali ficou por 3 minutos parada de frente ao Box. Logo se movimentou, foi até o chuveiro, ligou a água na temperatura mais quente possível, e, sem tirar uma peça de roupa, entrou de baixo daquela quentura.
A água quente caía sobre sua nuca, e Joaquina fechou os olhos. Começou a cantarolar alguma canção de infância. Imagino que era Escravos de Jó, canção que cantava em roda com a família. Depois da roupa estar toda encharcada a ponto de pesar sobre o corpo, foi tirando peça por peça, e deixando ali no canto do Box.
A felicidade que Joaquina tinha desde quando seu nome ‘engraçado’ foi dado não estava mais ali. A vibe boa, a compreensão, a felicidade tinham ido embora. Na água, encontrará um refúgio, uma fuga, para junto dela cair as lágrimas, sem que a casa e as paredes notassem a diferença.
Sobre o banquinho que se encontrava dentro do banheiro, a resposta: Uma nota do jornal, bem pequena, anunciando um roubo com homicídio, que acontecera dentro da casa de Joaquina, porém a pessoa assassinada fora seu irmão. Apenas um tiro na nuca que o levou para longe. Para Joaquina, em sua cabeça, o irmão sempre teve mais facilidade e menos cobrança na vida: quando queria sorrir, sorria; quando não queria, chorava ou ficava irritado, e mesmo assim, era amado por todos sem uma obrigação, diferente de Joaquina.
Como assim, Joaquina triste? Seu nome traz tanta alegria, traz algo engraçado, me lembra daquelas cantigas de Festa de São João, que os nomes inseridos nos personagens eram João, Maria, José, Joaquim, Francisca, Joaquina!
De pequena foi posto um rótulo que não conseguiu tirar por tantos anos, exatos trinta e quatro. E apenas naquela noite isso mudou, não porque queria, mas o instinto foi mais forte.
Joaquina permaneceu naquela água quente por cinco horas. Do breve alívio que a água trazia, começou a sentir mal, a pele já estava muito enrugada. Daquela forma mesmo, com o corpo nu, resolveu deitar naquele chão gelado, e teve um pequeno choque que a trouxe de volta a realidade.

Uns ganham, outros perdem, mas raros aqueles que têm a capacidade de não viver com tantas máscaras.

Seu irmão enquanto vivo fora alguém sem máscaras, alguém amado com seus defeitos e encrencas, mas amado. E Joaquina também o amou, como todas as outras pessoas. Agora o mundo e sua sujeira tiraram isso dela, e a única coisa que ela queria saber:

Aonde errei? Tentando sempre ser a melhor para mim e para os outros, afastando ao máximo todos os defeitos, e de volta recebo a morte, recebo a tirania, da pior forma possível.

Então adormeceu naquele chão, e acordou apenas com o primeiro raiozinho de sol que entrava pela janela. Levantou do chão frio, tomou outro banho morno, mas rápido. E voltou a rotina.
Mas Joaquina não era mais a Joaquina. Era uma Joaquina, uma que ninguém deixava despertar, que a responsabilidade de um nome tão alegre não deixava vir.
Era a mulher que perdera o irmão de forma trágica, e que ia curar isso com seu tempo, sem pressa do mundo, porque ele pouco se fode pra isso. O nome? Era apenas um nome, que serviu para assinar sua certidão de nascimento, e a próxima vez seria apenas para assinar sua certidão de óbito.

Pela primeira vez, seu nome não era importante, mas seus sentimentos eram.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Let's talk about sex!

- Mãe.
- Oi meu tesouro!
- Precisamos conversar, mãe...
- O que houve filha?
...
- Mãe, precisamos conversar sobre sexo!
- ... ah, ok, filha, imaginei que esse dia viria! Aliás, fico feliz que teve seu tempo certo pra conversar sobre...
- Mãe, eu não quero NUNCA na minha vida fazer sexo.
- ... Como assim?
- Não tenho vontade e acho nojento.
- Não sente atração por homens?
- Acho que não.
- Sente..... por mulher?
- Mulher?! Não, mãe! Nossa, isso não, bem... pelo menos nunca senti!
- Então...
- Sei lá, mãe. Queria conversar sobre isso: Quero que me aceite como sou: uma pessoa assexuada (imagino que eu seja). Não quero sexo, se um dia eu namorar, quero que a pessoa me ame primeiro ao invés de sentir tesão. Sexo deixou de ser algo para ser conquistado de forma elegante e com pureza, hoje é apenas um prazer, passageiro, fácil...muito fácil, e não gosto de conquistas fáceis, sem uma luta, um brilho...uma paixão. Não gosto de sexo!
- Mas filha, e filhos?!
- Eu adoto, faço inseminação.... forma é que não falta!
- E um rapaz minha filha, não pretende namorar nunca? Já está com 24 anos!
- Não tenho interesse pelas pessoas, mãe. Espero que me respeite por isso.
- Tem interesse pelo o que então?
- Tenho interesse pela minha felicidade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A ansiedade das escolhas*

(Esse texto não é de minha autoria, mas acho interessante sua reflexão. Leiam!)

Optar por isto ou aquilo faz parte da nossa rotina. Saber conviver com essas decisões pode ser libertador. Confira a reflexão!
 
Como escolher entre dois conjuntos de valores tão importantes?
 
"OK, então vamos esperar por sua escolha até amanhã de manhã. Pense bem antes de decidir."
 
A frase soou como uma ameaça. Eu tinha que decidir e não podia negar essa responsabilidade, já que corria o risco de perder tudo. Mas a escolha não era simples, pois, no fundo eu queria os dois. Um representava a liberdade, a aventura, a alegria de viver. O outro significava a sabedoria, o conhecimento, o futuro. Como escolher entre dois conjuntos de valores tão importantes? Como optar por um e abrir mão do outro que eu também queria tanto? Por que o destino estava fazendo isso comigo? Ó mundo cruel...
Mas não teve jeito, pois eu sabia que, se demorasse para decidir, ou não mostrasse firmeza em minha conclusão, não seria considerado maduro o suficiente para merecer nenhum dos dois. Acabaria tendo que me contentar com algum prêmio de consolação, e isso seria a pior coisa que poderia me acontecer naquela fase da vida. Então, armado de uma convicção artificial, comuniquei minha decisão:
 
- Então está bem, fico com a bicicleta! - e abri mão da enciclopédia.
Estávamos em véspera de Natal e eu tinha 11 anos. O que aconteceu naquela oportunidade foi uma espécie de iniciação à vida, que nada mais é que uma sucessão de escolhas. Parece que a única escolha que não fizemos foi a de nascer, porque daí para a frente, passada a primeira infância, começa nossa preparação para sermos responsáveis. Tem início o desenvolvimento de algo chamado "consciência", que, em última análise, é a autonomia para cuidar do destino, escolhendo os caminhos da vida. Amadurecer, descobri, é assumir a responsabilidade por suas escolhas.
 
Eu queria muito aquela bicicleta. Qual é o garoto que não quer? Desejava sair por aí, com os colegas ou mesmo sozinho, deslocando-me com rapidez, sentindo o vento, conhecendo outros bairros da cidade. Mas também estava de olho na tal enciclopédia, que, para mim, era uma espécie de passaporte para o conhecimento. Com a bicicleta, poderia passear pela cidade - pensava -, e com a enciclopédia, poderia viajar pelo mundo.
Prevaleceu a liberdade do vento, não a das letras, como seria de esperar de alguém que mal encerrava a primeira década de vida. E aquela bicicleta me deu muita alegria, acredite. Nunca me arrependi da escolha, até porque mais tarde, em outro Natal, a enciclopédia veio, ainda que não tenha vindo o aparelho de som - outra escolha/troca.
 
A tirania do"ou"
 
Um dos personagens mais explorados pela literatura alemã é o de um homem que fez uma escolha perigosa: Fausto. Ele foi inspirado em uma pessoa real, o médico Johannes Georg Faust, que viveu entre 1480 e 1540 e que era também estudioso de alquimia e magia. Sempre insatisfeito com o conhecimento disponível, ansioso por saber mais, acabou por dar origem a Fausto, que teve inúmeras interpretações na literatura germânica, sendo que a que predomina é a do mais importante escritor alemão, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).
 
A primeira parte da versão de Goethe foi publicada em 1806 e conta que Fausto, querendo superar os conhecimentos disponíveis na época, ambicioso pelo saber, acabou fazendo um pacto com um demônio, Mefistófeles. Durante 24 anos ele não envelheceria, experimentaria todos os prazeres e teria acesso a conhecimentos novos. Tudo isso em troca de sua alma, que passaria a ser posse do maléfico pela eternidade.
 
Fausto aceita, pois seu desejo de saber é superior a tudo. O que ele não contava é que se apaixonaria por Margarida e, ao se ver perto de seu prazo, vê-se também obrigado a abandoná-la. O mito fáustico, em todas as versões, joga com a ideia da perda como subproduto da escolha. E essa perda pode ser desesperante, como no caso do personagem, ou pode ser, em sua versão mais humana, no mínimo, a causa de grandes ansiedades.
 
A ansiedade é, sim, um dos males da modernidade. Não há pessoa que não relate que é acometida, eventualmente, por uma "crise de ansiedade", caracterizada pela sensação de dúvida, incerteza, desconforto. A pessoa ansiosa gostaria de não estar onde está, ou pelo menos gostaria de não estar vivendo a situação que lhe causa ansiedade - mas, por outro lado, sabe que não tem como evitar. Todos somos ansiosos, em graus maiores ou menores.
E a causa mais comum de geração de ansiedade atualmente é, como vimos, a necessidade de fazermos escolhas. Sim, pois a cada escolha você tem que sofrer com as renúncias que ela acarreta. Essa é a tragédia da escolha. O imperativo do "ou". Ou isto ou aquilo, os dois não dá, explica a vida - e a gente aceita com resignação.
 
Escolher é trocar
 
A língua inglesa tem uma expressão que define bem a ansiedade da escolha: trade-off. Sem tradução literal, trade-off significa escolha, mas também quer dizer troca. Em síntese, escolher significa trocar uma coisa por outra. Ao escolher a bicicleta, abri mão da enciclopédia. Foi uma troca e, convenhamos, a melhor que podia ter feito naquela ocasião. No ano seguinte, troquei um aparelho de som novinho pela coleção de livros que esperei por um ano. E por aí vai.
 
Trade-off é uma expressão muito usada nas empresas, e faz parte do planejamento estratégico. Os empresários e executivos sabem que sempre há um preço a pagar. Por resultados, terão que fazer investimentos. Se buscarem inovação, terão que admitir alguns erros. Se optarem por economizar, terão que reduzir os investimentos. Na economia do país, se a opção for pelo controle da inflação, sabe-se que a taxa de crescimento será menor. "Não há almoço grátis", dizem os economistas. Trata-se de um postulado da economia que lança mão da obviedade que não dá para, ao mesmo tempo, comer a refeição e ficar com o dinheiro.
 
Um dos melhores exemplos de trade-off estratégico é encontrado não na economia, mas no jogo de xadrez - e, nesse caso, pode receber o nome de gambito, que não é, portanto, apenas o codinome das pernas finas.
Nesse jogo, gambito é o sacrifício de uma peça em troca de alguma vantagem, que pode ser outra peça ou espaço, desguarnecimento do adversário, linhas diagonais ou simplesmente tempo. O outro jogador pode aceitar ou refutar a oferta, pois sabe que há uma intenção por trás, uma espécie de jogada oculta. O Gambito do Rei é uma jogada em que o jogador de peças brancas oferece um peão logo no início do jogo e, aparentemente, desprotege o rei, mas, na prática, obtém uma liberdade de ações bem maior a partir disso, ganhando o domínio que vem da iniciativa. Tanto essa jogada quanto o Gambito da Dama são estratégias de quem sabe jogar e não de iniciantes sem técnica nem equilíbrio emocional.
 
Na vida também é assim, mas é claro que há variações importantes. Todos os dias fazemos escolhas soft, cujos enganos não provocarão maiores consequências. Se você errar no prato no restaurante ou no filme na locadora, ou se escolher uma roupa leve num dia em que faz frio, tudo bem, a encrenca não é tão grande assim. O complicado é errar nas escolhas hard, como a profissão, os investimentos ou a pessoa com quem se casar e compartilhar a vida. Felizmente, fazemos mais escolhas soft do que hard neste passeio pela vida.
 
A possibilidade do "e"
 
Mas nem tudo está perdido. Disse Einstein que nós não podemos resolver um problema usando o mesmo estado mental que o criou. É necessário buscar novas possibilidades, aceitar a existência de caminhos não vistos no primeiro olhar. E, nessa busca, sempre podemos contar com a possibilidade do "e" em vez do "ou". A inclusão como alternativa à exclusão.
 
Nem sempre dá, mas não podemos descartar essa possibilidade, e até contar com ela. Aliás, há situações em que essa é a única saída. Voltando a falar dos economistas e dos pensadores no futuro da sociedade humana, há um tema que gera muita polêmica. Trata-se da disputa entre crescimento da economia e a sustentabilidade do planeta.
 
Os que pregam o crescimento econômico são acusados pelos ambientalistas de não se preocuparem com a sustentabilidade do planeta, e estes são chamados por aqueles de patrocinadores do atraso. Durma-se com um barulho desses. Felizmente existem cérebros atuantes, cientistas, estadistas, pensadores que afirmam ser possível promover desenvolvimento protegendo a natureza. Desenvolvimento com sustentabilidade. Geração de riqueza e preservação do meio ambiente.
 
Para isso, claro, temos que falar de coisas novas, como reflorestamento, reciclagem, eficiência, novos materiais, pesquisa pura e aplicada, consumo consciente. Novos modelos mentais. Como se vê, fazer a opção pelo "e" requer investimento, tempo e inteligência. É mais fácil escolher um, ignorar o outro e tentar dormir tranquilo.
 
A inclusão é a solução ideal, quando possível. Senão, é necessário escolher e arcar com todas as consequências que fazem parte do pacote. O direito de escolher é atributo do mundo livre, o que é muito bom, claro. Nos países totalitários, em que ditadores comandam tudo com mão de ferro, a população não tem que fazer muitas escolhas, porque o estado faz por elas.
 
Viver com liberdade aumenta a responsabilidade e a ansiedade, mas viver sem ela aumenta o sentimento de impotência e o resultado pode ser a tristeza e a depressão. Sinceramente, se esse é o preço, fico com a ansiedade. E viva a liberdade de escolha.
 
* Eugenio Mussak não se arrepende de ter optado pela bicicleta e não pela enciclopédia

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Crise

A vida tem seus altos e baixos.
E a única defesa que sobra é o distanciamento;
Distancia por medo, por precaução,
Porque preferimos observar primeiro antes de abocanhar.

Mas quando abocanhar, será algo bem guloso; e lógico, perigoso.

E isso não terá muito problema, porque depois do fim, vêm o começo do começo do recomeço.
Que assim seja, mesmo nesse vendaval de crises.
Que a heroína sobreviva ao maior veneno, e salve mais uma vez, esse mundo bonito e querido que é o da imaginação.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Beijo gelado


(mi autoria)

-Bom dia! E um beijo gelado em você!

E meu dia começava assim, com um leve beijo seu, em uma madrugada um pouco fria, tornando aquele beijo um pouco gelado se aquecer conforme o que sentiámos.

É, é assim que imagino ao te ver. Sabe, já conheceu alguém que te passasse tamanho conforto, segurança? Você me passa isso.
Imagino você e eu, eu e você, igual aquela canção do The Turtles. Imagino abrir meus olhos e encontrar seu rosto com um leve sorriso, roubar por um momento seu lábio ao juntar-se ao meu. Imagino você se levantando com tanta preguiça e vindo me abraçar, e abre esse sorriso lindo seu, que o melhor de tudo não é a forma dele, e sim porque ele é sincero, o tempo todo.
Imagino, quando posso, e penso: como seria eu e você?
Sinceramente? Seria inexplicável, seria.... não sei, porque me falta palavras e um pouco de ar só por imaginar!
Aposto que daria certo, que seríamos felizes, e que nossos olhares, ao cruzar, falaria mais do que é preciso. As conversas seriam agradáveis, e o silêncio também.

Imagino...a gente daria certo sim, tenho fé disso!
É uma pena que seu beijo gelado pertence a outra pessoa agora.
Mas não desejo mal nunca à vocês, desejo que sejam felizes o máximo possível!
Mas que ainda penso como seria harmonioso entre eu e você...ainda penso sim :)


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A dança

(mi autoria)
(texto com possiveis alterações futuras, conforme o ritmo da dança)

I keep dancin' on my own - Robyn

Esse dia foi diferente pra Letícia. Sem vaidades, sem preocupações, sem medo. All-star, o mais usado possível; camisa grande, larga, e uma calça jeans confortável. Sozinha, vai ao clube mais perto. 
Dali olhou o movimento e sentiu olhares: todos estavam acompanhados, com amigos, amigas, namorados ou namoradas, ela estava com a melhor companhia aliás - ela mesma - mas ninguém nota isso, notava que ela estava sem alguém ao lado....alguém só.
Léti (assim refiro a ela) se hesitou um pouco, mas foi ao fechar um pouco os olhos que mudou de ideia.
Subiu as escadas do ambiente escuro, com luzes dançando junto aquela multidão, e por um momento tudo em sua volta ficou mais lento, mas delicioso, sensual, com aquelas pessoas unidas e pulando conforme a música. Aquela batida frenética começou a tomar conta de seu corpo, e as pessoas sensuais em sua volta foram sumindo, e, conforme sumião, seu corpo tomava conta daquele prazer que sua visão tinha, e que se transferiu pra alma.
Ali não tinha Letícia, nem Léti, nem alguma garota com problemas pessoais, financeiros, ou quaisquer outros.
Era uma alma que necessitava se expressar, sem depender de qualquer esteriótipo, de olhares, de julgamentos.
É uma alma que gritava por viver, por sua identidade.
E nada de ruim poderia abater aquele espírito; poderia cair o mundo, ele estaria ali, firme como nunca, como se fosse de titânio.
E ela se expressou ali, conforme ia até o chão, nos giros, nos passinhos, no balanço dos braços, do corpo que comandava.

Essa alma voltaria a sua rotina, mas quando quisesse se encontrar novamente, sabia o que fazer, sabia como chegar até ao seu eu verdadeiro e sentir o que é viver.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Feliz festas de fim de ano (?)

(mi autoria)

- Não sei o que me dá de verdade. Por 27 anos, procuro uma resposta pra isso...27? Tudo isso será? Não me lembro bem dessas festas quando pequena; achava que os dias eram apenas dias, sem virada, sem muita coisa especial. Acho que a partir dos meus 5, 6 anos, que notei a existência de uma época do ano em que ganhava presente sem ser seu aniversário. Sempre achei Papai Noel assustador, mas queria ver a árvore cheia de presentes, era....divertido (?!) Eram caixas embrulhadas, grandes, uma em cima da outra, e a maioria daquilo nem sinto mais o cheiro: ou doei, ou estragou. O importante é que por um bom tempo achava aquele período de comemoração maravilhoso, cheio de brilho, de harmonia, com músicas tocando na TV, no qual as pessoas cantavam de mãos dadas, se abraçando, sorrindo.    Mas - como sempre contrapondo - uma hora isso começou a me provocar, a não fazer bem (exatamente). Se aquilo era bom, então sou masoquista! Eu não via algo bom....e hoje ainda não vejo, enfim, não gosto de festas de fim de ano.
- Ahn? Do que está falando Fenanda?
- Que não gosto de festas de fim de ano! - Ela se ajeita sentada no chão, para se virar diante a Amiga - É tudo tããão...capitalista, tããão porco... É nascimento do menino Jesus para quem acredita, mas pergunta qual dessas pessoas que pregam isso, que vão nesse dia comemorar algo realmente referente à Jesus? Me diz? Quase ninguém! Maioria de embebeda, como nós duas agora, abraça e diz que ama à todos, deseja tudo de bom à todos, e isso repete-se agora no Ano Novo, mas para uns dias depois nem olhar mais na cara dessas pessoas, ou só arruma intrigas....serei mais clara: as pessoas são falsas, desejam as coisas da boca pra fora, por 'educação'; às vezes podemos até desejar de verdade, mas deixamos coisas menores e futéis entrarem primeiro em vez de recalcular, de aplicar essa 'pessoa modelo em fim de ano' para quando houver problema. Já reparou que só somos mais sensíveis e humildes e seilámaisoquedebom em festas de fim de ano? Porque não aplicamos isso ao ano todo? Qual o meu problema!
- Fer, relaxa. Está precipitando - antes de Fernanda voltar a falar, sua amiga complementa - nããão que você esteja errada, concordo aliás, mas pessoas são difíceis, e muitas nem pensam nisso, vivem dentro de um sistema, de uma rotina. Já que você quer ser diferente, seja, faça sua parte, mesmo recebendo pouco ou nada de volta, e será você com a sua conciência.
- Amiga, quantas coisas você realizou nesse ano que passou? Falo, de quando virou o ano e você fez promessas, cumpriu todas?
- Acho que nenhuma, Fer, exemplo é eu aqui com essa garrafa de vinho, virada desse ano falei que não beberia mais vinho...
- Então! Por quê não conseguimos cumprir?
- Penso, pelo menos por experiênciaminha, que é porque fazemos as promessas erradas, as iniciativas erradas. Exemplo, eu e o vinho: eu não estou dirigindo mesmo, nunca fui exagerada em beber, o que ia acrescentar na minha vida NUNCA MAIS beber vinho? Eu preciso fazer promessas que valem a pena também, que muda todo um modo de viver para melhor; nós não sabemos fazer promessas, não sabemos amar e sabemos muito menos ainda respeitar.
- Com certeza.... e o que estamos fazendo aqui, amiga?
- Vivendo, e aposte: muita gente queria tá aqui como a gente....desculpa tocar nesse assunto, mas...ainda fica lembrando dele?
- ......... lógico, todo dia.
- Não queria ser chata, mas eu imagino que se ele estivesse ainda entre nós, ia adorar festas de fim de ano, mesmo com promessas fúteis, promessas que futuramente não iremos cumprir, mesmo com a falsidade dos outros... todo mundo é falso ou já mentiu - e mente e mentirá ainda - o importante é fazer a sua parte, e ser o mais verdadeiro possível com quem  realmente quer ao seu lado.
Fernanda abaixou a cabeça:
- Tem razão....fim de ano é só uma marcação de tempo também, depende de nós quando '(re)começar' e fazer isso valer a pena. Não é o tempo que fará isso, é eu mesma -e isso parece coisa tosca de auto-ajuda-.
- Isso aí Fer, linda amiga! E parece um pouco filosofia e 'piegas' demais, mas é a verdade.

Ouve-se fogos, e Fernanda se aproxima da amiga:
- Ah amiga, um....uma feliz virada de ano. O que for pra ser conquistado será, e só te desejo o melhor, sem ser falsa.
- Eu também querida....desejo isso tudo em dobro.
Se abraçam.
-Quer falar feliz ano novo pra mais alguém? - pergunta amiga.
- Quero sim.
Fernanda pega a bolsa que estava ao chão, tira sua carteira e nela pega uma foto:
- Feliz ano novo, irmão. Esteja onde estiver, você está comigo, e desejo mais do que nunca sua infinita paz, e que não se preocupa comigo, ficarei bem.
Fernanda volta a amiga.
- Obrigada por me ouvir, mesmo que estamos um pouco alteradas...melhor voltarmos a festa, certo?
- Certo! - a amiga sorri.
- Um beijo pra selar o ano? - diz Fernanda com sorriso malicioso na cara.
- Com certeza! - responde a amiga, ao deboche.

As amigas se beijam e se abraçam por longo período. Se levantam do chão e volta ao sistema, a rotina, mas com uma certeza no coração de tentar fazer diferente, por elas e por quem elas amam.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

menos coletivo, mais auto-conhecimento - um pouco de leitura


Aqui e agora sou Mayara Lucio. Nada mais nada menos que a Mayara que muita gente convive. Coloquei Vitória pra descansar um pouco, a cabeça andava cheia e precisa renovar essas energias.

Bem, vim pra um desabafo. Coisa simples:
Não me considero a melhor leitora do mundo, primeiramente. Como todo ser humano dessa vida corrida, deixo de lado a leitura de um bom livro usufluir na minha imaginação para afazeres e prazeres tecnológicos, porque sim, sou assumidamente viciada nesse mundinho, mas ainda não considero caso grave. Não é e ponto.

Mas, mesmo assim, tento ainda conciliar esse vício com prazer de ouvir música pela rádio, de ler belos contos por e-book, e reparei que o interesse de leitura é precário hoje ó, que novidade.
Mas não é só isso. Nem com notícias sobre leitura, e-books de livros famosos (e gratuitos para todos), com site do governo federal oferecendo uma infinidade de obras: Não adianta. Sobre LITERATURA, o interesse é pouquíssimo.

Tive essa prova pelo outro blog que atualizo com notícias e dicas na área de mídia, cultura e arte, já que trata do blog da pós, e ultimamente atualizei com dicas de leituras INTERESSANTÍSSIMAS que valiam a pena, e divulguei sempre como divulguei.

Enquanto em outros posts davam entre 50 a 100 vizualizações, falando sobre videos, propagandas etc, nesses sobre leituras não chegaram a 10. Isso mesmo, menos de dez vizualizações (isso se não for contar quantas vezes eu mesma vou lá pra ler, provavlementesão só minhas vizualizações)

Fiquei chocada. Será que mesmo com essa tecnologia, com essa facilidade de acesso a livros, crônicas e contos, eessa falta de interesse pela leitura, no qual todos sabem que é importante para o nosso auto-desenvolvimento e auto-conhecimento, vai continuar assim? Como tanto fez e tanto faz?
Não serei a chata que vai mandar você sair da internet e ler um livro. Mas repense: Vale a pena ficar SOMENTE voltado a essas tecnologias, quando poderia tirar esse tempo pra você?

Porque tecnologia é coletivo sempre, agora leitura é um encontro entre você com você mesmo, um encontro sempre díficil aliás.
E concordo que leitura é deliciosamente deliciosa (pleonasmo bruto) quando tocada no papel, mas nem em bibliotecas ou livrarias se tem tanta motivação, a não ser para livros best-sellers, com suas histórias de ficção ou auto-ajuda que o mantêm você com a sua mesma cabeça sempre, sem te por em um confronto com você mesmo.

Mas, enfim. era apenas desabafo. Não peço pra concordar, porém nem criticar. Cada um com sua vida, fazendo dela como bem entender - porém não custa tentar.
Ler, reler, discutir, avaliar o que aquilo aplica na sua vida, faz uma certa diferença.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cavalinho de Tróia devolvido.

Desde pequenos nos dizem: amai ao próximo, o respeite, trate-o como gostaria de ser tratado. Não tiro razão.

Só não nos avisaram com tanta precisão (ou com muita pouca aliás) que muitas dessas pessoas no qual nos dedicaríamos para o seu melhor, para seu bem, tudo isso por carinho, por algo...bem, elas não corresponderiam, ou pior, fariam questão de nos desrespeitar, de colocar nosso bem maior lá embaixo.

Demora-se um pouco pra acostumar com essa ideia. Vemos os problemas nas TVs, os escândalos...mas é na TV, não vai acontecer comigo. E acontece. Tudo é possível a todos. Nada te faz diferente para merecer isso, nem classe, nem caráter. É dedo-podre ou castigo por algo, não sei.
Além da demora em acreditar que existe esse tipo de pessoa, conheceremos outras, e vamos pensar 'essa é diferente'. Muitas vezes é igual ou pior que o passado. Relacionamentos, como isso é complicado! Muitos nem pra ter dignidade.

E não importa: conheça há algumas horas, no ponto de ônibus, ou conheça desde quando nasceu, sendo amigos de infância ou alguém da família. Qualquer um pode querer acabar com você. Ás vezes não é intencional, mas a pessoa se colocou em primeiro, enquanto você abriu um pouco a mão.

Mas você é forte, é sim. Sofre no começo quando passa nessa situação, porque é realmente desagradável, mas...fortalece.

E as pessoas seguintes, quando tentarei te machucar, vai doer menos, até não doer mais. Vai confiar menos nelas e acreditar mais em si cada vez mais. Aí vai chegar naquele ponto, aquele em que a pessoa tentará machucar com palavras, com gestos, com olhares, tentando te atingir; e você irá sorrir, virar as costas, e lembrar de coisas mais importantes e agradáveis, como planejar uma viagem, por exemplo.

Ouvindo uma histórinha linda esses tempos, sobre um Samurai, é possível chegar nessa reflexão.

As pessoas nos dão, como presentes, suas atitudes. Alguns presentes são agradáveis, muitos por longo tempo, outros desgastaram, outros fingimos que gostamos para não desagradar. Mas tem certos presentes que não devemos nem receber, aqueles cavalos de Tróia, que vamos olhar, virar as costas, continuar com nossas vidas e nem dar a chance de receber aquilo novamente.

Mas não ache que o mundo e só merda, apesar que ultimamente parece. O mundo é grande, é lindo; tem muita gente, muitos sorrisos, animais, culturas...Não é por lembrancinhas mal embrulhadas ou  por presentes desagradáveis que você vai deixar de sorrir quando aparecer aquele grandão, aquele que você sempre sonhou pra vida inteira.

Acham que vão te derrubar. Eles estão enganados. E nem se preocupa em retribuir esses presentes horrorosos, a vida tratará disso muito bem.Vá viver a sua, com direito a felicidade, saúde, sonhos realizados e força de vontade.

What goes around, comes back around.
=D

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Soprando velhinhas

Não que isso seje graaaaande coisa!
Mas sim, faz um ano que venho aqui: em hora de trabalho, 
em hora de estudo, 
em hora de qualquer coisa;
quando o sentimento aperta, 
quando a alma grita,
e venho, há um ano, colocando tudo isso por aqui!
Não tenho intenção nada além de escrever, e, quem a recebe, leia e me compreenda...ou não!
Mas isso tanto fez, tanto faz.
Muitas coisas do que comecei por vontade própria, parei. Por preguiça, medo, insegurança.
E essa é uma prova de que esse meu 'tique de deixar inacabado' está cessando!
Começo a correr atrás dos meus objetivos, vontades, minha identidade.
Comecei aqui por que eu queria, desejava, precisava e completa hoje seu um aninho!.
Que tenha muito anos ainda pela frente!
Lembro do primeiro post como se fosse ontem, literalmente.
De lá pra cá muita coisa mudou: amizades mudaram, comportamento mudou, jeito de viver, pensar mudou. Mas o mais importante é ter essa oportunidade, da mudança; o resto, nós damos um jeito de encarar, anyway!
E que assim seje por muito tempo, amém.

'Todos dia é dia de renovar nosso destino' (P.Netto)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estrada - sem título.

 (mi autoria)

Seus diplomas, seus currículos, seus prêmios como melhor aluno da faculdade, projeto de doutorado, publicações na revista internacional de Sociologia... cada coisa espalhada pelo quarto.
Em cima da cama uma mala,
camisetas,
bermudas,
calças:
desdobradas,
amarrotadas,
dentro da mala.
No chão encontrava-se o tal aluno esforçado, com isqueiro na mão e queimando, lentamente, a ponta de um dos seus diplomas. Queimou só a ponta. Levantou, fechou a mala, calçou um tênis e saiu.
Deixou uma carta, para quando a empregada viesse fazer faxina, lê-se, ou desse para alguém de seus parentes ler:

"Querida Jo,
Provavelmente quando ler essa carta, vou estar com chinelo nos dedos, bermuda, pedindo carona, fumando um baseado barato. Pra onde estou indo? Só Deus sabe!
Sabe Jo, você não foi só uma empregada, alguém que limpava meu quarto, lavava minhas roupas. Você, antes de tudo, foi a pessoa mais próxima de mim, e com toda essa doçura e perfeição que é, aprendi a te amar. Desde quando tinha meus 10 anos você me viu crescer, renascer, aprender, e muito do que aprendi foi contigo.
Sabe o que aprendi Dona Jo? Que eu poderia ter o mundo em minhas mãos: Tenho 26 anos, formado, prestes a conseguir meu Doutorado, cheio de cultura, conhecimento, livros espalhados, horas perdidas de sono por estudos, congressos, seminários...você me acompanhou tudo isso.
Sou considerado pela sociedade uma pessoa de futuro promissor!
Mas...Dona Jo, e a sociedade com minha vida? Porque sei que, enquanto eu for brilhante, serei útil, mas, e quando enfraquecer, adoecer, será que TODOS vão lembrar de mim?
Eu sei que você lembraria de mim, Dona Jo!
E você não lembraria de mim por todos esses títulos, mas sim pelo meu sorriso, olhar, pelo meu carisma, da mesma forma que eu lembraria de você!
De que vale Jo tudo isso, todo esse mérito social, sem o amor? Como eu te amo, como eu me amo, como amo a Deus
O mundo é podre, Jo. Vemos, com os estudos (pelo menos isso) que existem pessoas que passarão a perna em você, sem motivo, e que assim, por pirracice nossa, vamos fazer isso com o próximo ,e o ciclo continuará.
Aprendi que o amor de hoje em dia é eterno enquanto dure sua grana, seu carro, seu material, enquanto dure o interesse do próximo.
Não quero isso Jo. Estou sim, largando tudo isso que conquistei, pra conquistar algo maior: Minha Vida, Minha Essência, Minha Religião.
Se volto? Voltarei, amor como o seu não abadona, mas preciso dessa escapada!
E não se preocupe, sempre que possível, manterei contato, pra mostrar que estou bem
Um beijo, um abraço.
Fica bem, que eu fico bem.
G."

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Amor, seu lado A e seu lado B.

(mi autoria)

'Se fiquei esperando meu amor passar, já me basta que então eu não sabia amar e me via perdido e vivendo em erro sem querer me machucar de novo por culpa do amor. Mas você e eu podemos namorar, e era simples: ficamos fortes.' (Legião Urbana)

A: - Amor é muito complicado! O que é amor? Aliás, pra quê isso? Só nos faz sofrer, ficar mal, dói! Mas nada...
B: - Você acha isso do amor?
A: - Lógico que acho! E acredito que eu e o mundo inteiro concorda com isso! Amor...amor nem se explica, é dificil, é dolorido...
B: - Eu penso diferente. Amor existe, é simples e facíl. Problema, como sempre, é o ser humano, que confunde tudo isso com 'paixonite', com sexo, com tesão, com doença, com qualquer outra coisa.
A: - ..................................................................................................................
B: - Tô mentindo?
A: - És uma pessoa louca, isso sim, aposto que nunca amou ninguém!
B: - E você, já amou?
A: - Lógico, inúmeras vezes! Não deu certo a maioria, e hoje tanto faz...
B: - Como? Hoje tanto faz? Desculpa..mas desses inúmeros 'amores' por algum você ainda tem respeito? 
A: - Não?! Tudo que me fizeram sofrer, terei respeito!?
B: - Conversam? Tem carinho ainda pela pessoa ou alguma admiração?
A: - DE JEI-TO NE-NHUM! Aí pede muito hein? Depois do que fizeram?
B: - Hum... ok!
A: - O que é amor pra você então, já que é tão facíl, simples assim?
B: - Bem..simples é uma palavra forte, não é? Mas acho que o complicamos demais, confundimos com tanta coisa, que hoje, quando alguém o quer puro como realmente é, não consegue mais.
A: - Fala, o que é o amor pra você?
B: - Acredita em Deus?
A: - QUÊ?
B: - Perguntei se acredita em Deus...
A: - Óbvio que sim!
B: - Calma, minha pergunta foi simples...só dizer sim ou não, basta.
A: - Sim!
B: - Ok...Você lembra o que Jesus Cristo fez por nós?
A: - Foi crucificado?
B: - Exato...E por quê?
A: - Como perdão dos nossos pecados?
B: - E por quê faria isso? Deixar que o matassem, que o maltratassem, que fosse para outro paralelo, fazendo a mãe e conhecidos sofrerem pela dor da perda, por resultado de perdoar o pecado de quem mal conhecesse?
A: - Por amor?
B: - Por amor...
A: - ................................................................tá.
B: - Não faça essa cara. Trazendo isso ao nosso mundinho material, já que não somos tão perfeitos assim: Amar é simples: É apaixonar sim, indiferente de como será a pessoa, indiferente de seus defeitos, indiferente de seus erros, porque é humano, erra! E ainda mais, esse amor ser capaz de mudar sua vida, de te fazer diferente, melhor, e ainda mais, como próprio Jesus fez, ser capaz de coisas além de nossa capacidade diria  - não precisa se matar, mas se DOAR - para o outro, e isso, sem esperar algo de mesmo nível em troca. Isso é amor.
A: - ............................................................
B: - Concordo que amar assim é dificil. Nosso orgulho, nossas tristezas, nossas inseguranças, nossas maldades não deixam. Mas um dia, ou aqui, ou em outro lugar, aparece AQUELA pessoa, que mandada por Ele, fará tudo isso com você, e o melhor disso, essa pessoa, sem querer, sentirá o mesmo por você. Assim penso.
A: - Que lindo!
B: - .
A: - Você...... acabou......... de me beijar?
B: - Sim. Porque eu estive aqui sempre ao seu lado, e você ainda não percebeu?
A: - O que quer...?
B: - Quero dizer que te amo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pessoas =)

(mi autoria)
"Sempre acreditei na bondade dos desconhecidos" (Tudo sobre minha mãe, Almodovar)

Não tem como: de qualquer jeito ou maneira, ser humano é fascinante!
Difícil de lidar, de entender, de raciocinar, de compreender, enfim!
Um dia você não quer saber deles, todos são podres, todos fazem do mundo o lugar pior de se viver (o que é pura verdade, ainda fazem! Eu, você, e a terceita pessoa do singular e do plural também!)
Mas não adianta: é apaixonante andar em meio deles, é apaixonante comunicar com eles, é apaixonante se apaixonar por eles.
Pode sofrer uma, duas, 34759340530 vezes, e prometer NUNCA MAIS, DE QUALQUER FORMA, passar por isso. Não tem como: aparece outro ser humano na sua frente, que te faz bem e tudo o mais e puff! Apaixonou! Lógico, tem mais estágios até lá, mas é incrivel: Apaixonar ou amar alguém, não importa o tempo de experiência em relacionamentos frutados, sempre será aquela coisa de gente boba, ingênua, eternas crianças, de quando vê seu doce favorito na vitrine da padaria! E é mágico!
Falando em amor, impossível não citar a família: brigas, diferenças, chatices, e não importa tudo isso: todos os problemas passam, são amenizados, quando alguém que ama está mal ou precisa de algo, o amor fala tão forte! Família, pra mim, seria o amor de Deus, representado aqui na Terra, mas por ser entre humanos, há suas imperfeições!
Algo tem que por na cabeça: Pessoas, ao mesmo tempo que são iguais, são diferentes! Como diz o provérbio: "Todo ser humano tem apenas uma coisa em comum: SER DIFERENTE!" Sendo sim, é sempre bom dar a chance para novas pessoas, novas amizades, novas reconciliações, mas sempre esperto, atento, pra não magoar de novo, sendo isso possível!
Ser humano é incrivel, e trabalhar com ele melhor ainda: trabalhar com sua linguagem, com sua melodia, com sua literatura, com seu gêneros...tem coisa mais apaixonante que esse mundão todo cheio de diverdidades, culturas, etnias, cada um a sua maneira?
O mundo seria sem graça se tudo fosse igual!
E sobre pessoas desconhecidas? Essas me encantam particulamente!
Ao mesmo tempo que existem aquelas que estão ali para te fazer mal, te invejarem etc, incrivelmente existirá um desconhecido ou desconhecida, que com um olhar, um sorrido trocado no meio do dia,  um 'bom dia' fará que esse um minuto mude totalmente as outras 23h59min.
E quando não há aquele caso de acabar de conhecer alguém, e ao trocar algumas ideias, parece que conhecem há anos, e aquela pessoa ainda, não sei como, consegue descobrir com o pouco que sabe, te tirar um sorriso com um texto, uma música, e assim vai!
Ás vezes queria trabalhar com animais, porque esses são uns fofos sempre, mas não dá:
Nasci para amar, sim, um ser humano, com todos os seus mistérios, porque essa é sua maior magia.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Soul-mates :)

(mi autoria, para minhas almas)

Chegou na cozinha discretamente, enquanto ela preparava o almoço do dia, com cuidado, já que tinha visita:
- Onde você estava?
A que estava cozinhando virou-se:
- Ai que susto! Vai pra lá querida, é surpresa o almoço...
- Onde você estava?
- Eu? Aqui oras, não quis te acordar, você estava em um sono tão bonito...
- Na verdade eu dizia aonde você estava, ou por onde andava, que demorei tanto pra te encontrar!
A que cozinhava parou, estava já olhando nos olhos da amiga, mas com mais profundidade. Os olhos molharam...
- Não chora amor! Falei algo errado?
- Não... é que eu me pegunto a mesma coisa...
Sorriu, colocou o frango para assar, pegou o vinho na mesa e duas taças:
- Vamos beber lá fora! Puxou a amiga.

Durante o vinho, que tomavam em silêncio, a que preparava o almoço (facilitando, a Ana) suspirou fortemente:
- Lembro no dia em que nos conhecemos, você tinha acabado de terminar um relacionamento, certo?
- Certo! Respondeu Lia.
- Faz o que, um mês já, né?
- Três semanas...e estranho, é como se já fizesse mais tempo, não sinto tanto mais!
Silêncio.
- Você acredita em almas gêmeas? Pergunta Lia.
- Ah, não sei...até hoje não encontrei o amor da minha vida...se bem que, não sinto tanta necessidade de encontrar agora, antes tinha, hoje não mais!
- Mas acredita que as almas gêmeas serão esses tais amores?
- Não sei...o que você acredita?
- Eu não sei...As vezes, agora na verdade, penso que encontrei, que abri os olhos e vi quem é minha alma gêmea.
- É linda? Quem é o bofe?
- Bofe nenhum amore - virou o rosto em direção a de Ana - é você! Antes que diga qualquer coisa, é que apesar do pouco tempo juntas, pouco tempo de amizade, não sei, algo maior nos conectou.
Ana encheu os olhos d'agua de novo.
- Como assim linda?
- Sabe Ana, sempre me magoaram, sempre desconfiei das pessoas, sempre demorei pra acostumar com elas... e você, com apenas um oi, um olhar, conseguiu transmitir uma segurança, como dissesse "Não tenha medo, estou aqui, e não vou embora". E ocorreu tudo tão natural, eu acho. Nunca senti isso por alguém. E não sei, procuram tanto sobre alma-gêmea, sobre a outra metade, e porque ela não pode ser um melhor amigo, um cachorro, ou simplesmente seus pais? Não sei porque, mas não preciso demais nada agora pra preencher meu coração, você já faz bem pra ele! O mundo anda tão complicado, e você amenizou por quase completo essa angústia em mim.

Ana abaixou a cabeça, Lia a levantou com as mãos.
- Quem é você, e como consegue fazer tão bem pra mim?
Ana sorriu, já com uma lágrima no rosto:
- Sou seu anjo, sua amiga, e estarei aqui, o tempo que for possível e intenso pra cuidar de você e só te fazer bem... fico feliz que nossa amizade esteje assim, mesmo que pouco tempo, consigo ter intimidade com você que não tenho com quem conheço há anos! Isso é alma gêmea?
- Sim, Ana, acho que é! Lia sorri.
- E se um dia distanciarmos? Você pretende voltar pra sua cidade não?
- A distância pouco importa. Estarei longe, mas levarei um pedaço de você, de sua lembrança, do seu olhar, do seu carinho para dentro de minha memória e dentro do coração; e pra você, a mesma coisa. Acho que almas gêmeas são assim: Não importa distância, diferenças: a gente se completa, e quando se separa, leva o melhor de cada uma pra ti! Quando o sentimento é bom ,a gente só cresce com isso!
- Exato! Ana limpa suas lágrimas.
- Vamos almoçar, amiga? Disse Lia, Já levantando e dando a mão a Ana.
- Vamos, amiga... é estranho te chamar de amiga, essa palavra parece que foi banalizada, muito usada...
- Então vamos se chamar de alma, que tal?
- Tudo bem, minha alma.
Entram, almoçam, e seguem seus dias, e por muito tempo, com a amizade fortalecendo a cada companheirismo.